Espiritualizar - Cristiano Fádel

O Espiritismo como roteiro para uma vida em paz.

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O Espiritismo como roteiro para uma vida em paz.
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Terra Blog

26.12.07

É NECESSÁRIO CONHECER!

Os Espíritos nos ensinam que a “única verdadeira” lei “para a felicidade do homem” (OLE* – 614) é a lei natural ou lei de Deus. Devido à sua natureza eterna e imutável (OLE – 615) apresenta-se de forma igual para a humanidade, gerando a felicidade à medida que nela o homem baseia seus projetos e ações. A harmonia existente no mundo material como no mundo moral, provém do governo dessas leis (OLE – 616).
Apesar de serem únicas para todo o universo, as leis divinas possuem adequação específica ao grau de progresso dos seres” que habitam cada mundo (OLE – 618), configurando a evolução espiritual como a sua compreensão e a sua prática. Tal tarefa requer o processo reencarnatório, pois ao homem “uma única existência não lhe basta para isso” (OLE – 617), “em cada nova existência, sua inteligência se mais acha mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é bom e o que é moral” (OLE – 619).
Observando o mundo em que vive e, consequentemente, o seu próprio universo interior, o homem percebe o grau de envolvimento e responsabilidade na situação vivida e empreende esforços para superação dos atavismos morais. Se por um lado causa comoção ou revolta as catástrofes sociais e pessoais, os ensinamentos espíritas as colocam como produtos do nível evolutivo da humanidade terrena. Mas, a explicação não deve inspirar acomodação. Ela aparece no momento em que acendem-se novas luzes no nevoeiro da ignorância, revelando roteiros morais mais elevados.
Nesse ponto, cabe refletir como o Espiritismo atua no esclarecimento sobre as leis divinas. Os Espíritos que participaram da Codificação informam que as leis de Deus estão gravadas na consciência do homem (OLE – 621). Portanto, aí está a fonte de elevação do próprio planeta, alavancada pelo trajeto evolutivo dos Espíritos que nele residem. Outro aspecto apontado pelos Espíritos é o envio das revelações à humanidade, através de Espíritos mais evoluídos que agem didaticamente (ensinamento + ação) facilitando a aprendizagem.
No meio espírita, a responsabilidade com as mudanças morais, para melhor, alertam para os equívocos comportamentais ainda cometidos. De onde será retirado o parâmetro para identificação desses equívocos? Os próprios espíritos esclarecem: “para o homem, Jesus constitui o tipo de perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra” (OLE – 625). O Evangelho Segundo o Espiritismo é o conjunto de temas morais a ser utilizados nas avaliações das ações desenvolvidas no meio espírita, por ser composto pelos próprios ensinamentos do Cristo.
Se a conduta espírita deve pautar-se na disciplina, não será algemada ao imobilismo dogmático. Superação é o que se espera do praticante. O autoconhecimento é o projeto e a realização dos trabalhadores. Aponta Kardec: “conhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, pelo grande esforço que fez para combater suas más inclinações”. Esforço e combate são os termos elucidativos no crescimento moral, devido às imperfeições que ainda compõem grande parte do ser humano.
A idéia de transformação lançada pelo Codificador diz sobre um vasto campo em desalinho e sobre ferramentas de melhoramento para o cultivo das boas inclinações e extirpação das sementes da ignorância: “o véu se levanta aos seus olhos, à medida que ele [o homem] se depura” (OLE – 18).
O homem se esclarece melhorando suas práticas, retirando o véu simbólico do pouco conhecimento. Esse processo realiza a depuração moral que, por sua vez, alimenta os esforços da retirada do véu. Assim, ocorre o “combate” das “más inclinações”, num “grande esforço” que produz “transformação moral”.
Percebe-se o quanto é grande o território a ser desbravado no entendimento e na vivência do OESE** . Essa obra reeduca moralmente, carrega as condições para o entendimento das leis divinas, oferecendo Jesus como exemplo.
A cura moral pelo Evangelho impede a reincidência da enfermidade, proporcionando prazer na compreensão dos antigos “mistérios” de Deus. Adquirindo-se “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, o mundo surge, gradativamente, cristalino aos olhos que vão percebendo sua verdadeira natureza ou, como afirma Kardec: “quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe deve causar o poder e a sabedoria do Criador” (OLE – 19).
A todo homem é facultado entender as leis divinas, podendo, com os seus próprios esforços, executá-las, pois estão gravadas em sua consciência: “os homens de bem são os que se decidem a investigá-la [lei natural] são os que melhor a compreendem” (OLE – 619). Portanto, não se incorre em erros inocentemente.
Emmanuel comenta que o homem de bem sofre e se aproveita do seu sofrimento. Resigna-se com sua dor e busca curá-la: “não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento”.
Utilizemos, então, nossas imperfeições e os seus conteúdos traumáticos para construir uma nova estrada de acertos. Ouçamos sempre Emmanuel: “não basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos orienta o caminho”. Nos esforcemos para a redução da nossa cruz, até sua total extinção.

Cristiano Fádel

*O Livro dos Espíritos. 
** O Evangelho Segundo o Espiritismo.

19.12.07

O natal o sal da terra.

Com a cabeça sob as mãos observando a chegada do natal, tão badalado, caprichosamente festejado, ansiosamente esperado e pouco analisado. Resisto aos apelos sociais do natal-senso-comum papainoelisticamente organizado em torno de um grande saco de brinquedos. Saio da fila que espera pacientemente pelo trenó, amedrontado pela estreiteza das chaminés. Vou entrar caminhando pela porta da frente. Todos os sapatos já estão encaixotados e devidamente guardados.
Não vejo Jesus cortando o bolo...
Luto, retiro as mãos, ergo a cabeça, olho em cada mão e me vejo sofrendo com o meu próprio imobilismo: não resolverei minhas angústias esperando que venham exercer o meu papel. Não tenho que buscar Jesus onde só existe Papai Noel. O Natal pede liberdade a partir do meu interior. Preciso construi-lo sob o modelo daquele que deveria ser o tema central da festa. O natal sou eu porque Jesus veio ao mundo e ele próprio foi seu mundo. Não esperou. Não queixou. Agiu. Com ele, renasço todos os dias. Com Jesus, o Natal transcorre o ano inteiro.
Refletindo sobre o nosso irmão perfeito, me pareceu diretamente dele ouvir o alerta: “vós sois o sal da terra”.
O sal equilibra o paladar realçando o doce a partir da sua salgada ação. Fora do ponto, irá provocar a rejeição ao prato. O equilíbrio está nas escolhas das mãos que cozinham: satisfação ou rejeição, saciedade ou fome, elogio ou repreensão. Por vezes, o sal está oculto, mas sua ação é sentida no acerto dos gostos.
O sal da terra é vida!
Daí, iniciei a mudança e aquelas mãos que desnorteadamente seguravam a cabeça, com ela construíram um conjunto transformador: o Natal é a senha para sermos o sal da terra.
Diante das vitrines repletas, ofuscantes, lembrarei dos lares, ruas e bairros onde o cintilar dos olhos cedeu lugar ao sofrimento. Inúmeras famílias que não conseguem desenvolver idéias reativas e imergem num ambiente de pessimismo. Posso ser a pitada que tempere com esperança a visão sombria da vida. Muito mais que falar, devo ser a própria mensagem de renascimento, encadeando olhares amplamente luminosos, alimentados pelo motor divino do coração, vibrando reerguimento.
Com tantos papais noéis, não posso me manter indiferente aos que não conseguem felicitar os filhos com um sorriso. Sou eu, o rosto iluminado a oferecer colo aos pequeninos inocentes, ombro amigo aos pequeninos adultos; o sorriso sincero de gratidão nos momentos bons e de paciência nas vivências dolorosas.
Doando e recebendo presentes, vou lembrar-me dos incapacitados à troca da mais rápida saudação. As vidas que se desarmonizam a cada minuto vivido. Assim, saio com os braços abertos num grande chamamento por abraços, mais afeto, ouvindo mais do que falando em qualquer ambiente. Distribuo um presente para ser repassado rapidamente: a tolerância.
À mesa farta, jamais negarei a reflexão sobre os excessos do acúmulo, enquanto milhares estão desprovidos do básico para a sobrevivência: a força de vontade. Sairei a encher os pratos com esclarecimento, reforçando a verdade: estamos sempre amparados se buscamos apoio. A fome física é o resultado do pequeno apetite moral por justiça.
Respirando o natal do mercado, lojas cheias, força propagandística materializada no consumismo, sou o tempero saudável que modifica as sensações exacerbadas. Inicio presenteando com humanidade, embrulhada por mãos amigas estendidas e abertas para um encontro caloroso e vivificante.

03.06.07

Garimpar e Lapidar

Nos meus tempos de Ensino Médio, freqüentava a casa de um colega que comercializava ametistas. Toda a sua família trabalhava desde a retirada do minério, nas minas, realizando uma lapidação superficial e a venda para o preparo final das pedras destinadas ao mercado. Chegavam com caixas e sacos repletos da pedrinha verde, com um minúsculo martelo quebravam pequenas partes onde a ametista não apresentava condições adequadas à comercialização. A precisão das pequenas marteladas protegia da destruição as partes boas das gemas, separando pequenos pedaços de outras cores, geralmente, em tonalidade mais escura.
Era uma tarefa criteriosa. Os olhos treinados buscavam aproveitar o máximo que a pequena pedra pudesse oferecer na transação comercial. De um estado bruto, a ametista passava por diversos processos de purificação, perdendo os seus excessos, as estruturas impuras para luzir aos olhos humanos.
A nossa purificação mental corresponde a um processo de lapidação até atingirmos a pureza espiritual. O nosso garimpo é a busca por imperfeições morais, atualmente ainda em grande quantidade, obscurecendo o brilho da luz, alertado pelo Cristo. Somos centelhas divinas, brilhantes por natureza, opacas por imperfeição. A opção é lustrar para atingirmos o brilho que podemos produzir em toda sua potencialidade.
Retiremos, inicialmente, os pontos obscuros, as montanhas a ser removidas, segundo o Evangelho: a usura, o orgulho, a cobiça, o egoísmo, entre tantas outras distorções morais. A dor é o martelinho do artesão, que mutila beneficamente nossa mente, retirando os apêndices danosos. Cuidemos para que essa mutilação não leve junto partes boas nossas, nos momentos em que já conscientes de alguns aspectos da realidade, deixamos de agir reproduzindo o bem.
Nossa tarefa é garimpar a mina eterna: a nossa mente. Ainda possuímos segredos profundos, ainda indisponíveis à memória atual. Então, garimpemos, revolvamos, busquemos os erros do passado que sustentam as imperfeições presentes, em processo de recíproca alimentação. Atuemos como investigadores conscientes da pouca luz que teremos para nos conduzir nessa busca, tal como o garimpeiro no seio da terra. Teremos que rasgar no corpo dos pensamentos, penetrar profunda e dolorosamente o nosso ser sem as máscaras do dia-a-dia. Com a identificação das imperfeições, extirpá-las exige esclarecimento. A própria garimpagem já é fruto do conhecimento ascendente.
O próximo passo é a lapidação. A partir do conteúdo moral adquirido, o roteiro conhecido, parte-se para a ação. Crescer é praticar o bem. As ações envolvidas pelas energias crísticas, inspiradas evangelicamente, obedientes às leis divinas, enfrentam ainda a dor, mas não são interrompidas, pois o processo de lapidação espiritual é incessante, tenaz, devotado à continuidade.
A dor, essa nossa grande artesã, vai liberando caminho para o brilho enclausurado na mais profunda intimidade da alma. Sempre polindo... sempre polindo... Futuramente mais uma jóia será utilizada no grande festival divino do universo. Mais um espírito expandirá sua luz, deslumbrando a todos que tenham olhos de ver.

20.05.07

Fazer a paz

A paz será alcançada com a resolução das tensões humanas. Entende-se, então, a árdua tarefa na adoção do pacifismo como conduta planetária, por depender da adesão total da humanidade. A tolerância destaca-se como um dos elementos essenciais, nessa construção, pois a comunhão de objetivos forma-se na diversidade das ações, na aceitação das diferenças.
Contrariamente à paz, espera-se que o outro mude, corrija-se, elimine seus erros, adeque-se aos nossos modelos. Assim, vestuário, sexualidade, religiosidade, etiquetas, convenções sociais são filtradas e observadas com particularismos. Não se vê o outro, em si. Vê-se o outro sob modelo do eu. Esse é o terreno fértil em intolerância.
Há um projeto esperando concretização: reconstrução moral.
Há uma obra requerendo desenvolvimento: a pavimentação espiritual dos nossos caminhos, por onde o outro possa passar, porém, usando sua própria luminosidade.
Há um mundo a ser conquistado: a intimidade do próximo, usando roteiros de amor.
Falta uma boa ação no seu currículo divino: manter a mão estendida a quem necessitar.
Há tempo, ainda, para o maior pedido: força, sustentação e inspiração para evoluir.
Falta um gesto no seu repertório libertador: os braços abertos a todos que buscam aconchego.

13.05.07

O aborto e os aborteiros

Assistindo ao Jornal Nacional quase que inteirinho sobre a chegada do Papa Bento XVI ao Brasil, veio à tona, novamente, a questão do aborto. O Papa o condena em pronunciamento, sendo seguido pela cúpula da Igreja Católica brasileira. Por outro caminho, o Ministro Temporão, responsável pela pasta da saúde, mantém-se firme na defesa indireta do aborto, reivindicando um “amplo debate” que culminaria na realização do plebiscito onde o povo escolheria entre descriminalizar ou manter o aborto como um crime. A nossa legislação somente libera o aborto em caso de risco de vida para a mãe ou em gravidez resultante do estupro.
Não comentaremos os pormenores jurídicos ou religiosos sobre o tema. Nos ateremos à fala do Ministro da Saúde e, também, do Presidente Lula, igualmente dúbia, se declarando contra o aborto, mas, o classificando como “um problema de saúde pública...” Ambos viajam no clássico: “não sou contra nem a favor, muito pelo contrário...”
A questão delineada é a da descriminalização, com farta argumentação favorável e contrária. Isso exige das autoridades posições definidas, pois há muita informação disponível, principalmente de cunho científico. Sentar no muro já abre portas para decisões equivocadas e, sinceramente, torra a paciência (isso mesmo, desci do salto!).
Conclamar um “amplo debate” requer debatedores habilitados. São milhões de brasileiros aptos ao voto no Plebiscito. Então, pergunto: para um tema de gigantesca importância, já existe um eleitorado informado suficientemente sobre o que irá escolher? Podemos deixar essa informação a cargo de uma campanha eleitoral movida por interesses próprios e paixões de todos os tipos, inclusive a religiosa? Não são os mesmos eleitores que, recentemente, foram ludibriados pela propaganda dominante e, em votação, optaram pelas armas? Quais os estudos existentes que comprovam a descriminalização do aborto como solução, enquanto “problema de saúde pública”? Quem nos assegurará que os veículos de comunicação agirão com isenção nos debates acerca do aborto? Como resolver o entrave jurídico à possível descriminalização, se a Constituição Federal considera inalienável o direito à vida a partir do nascimento, estendendo-o à gestação? Se a ciência não chegou a um acordo sobre o início da vida, ficou a dúvida, nesse caso, devemos abortar? Se a população em algumas pesquisas populares se declara, em sua maioria, contrária ao aborto, qual o sentido dessa consulta por plebiscito? Não seria o momento do investimento em esclarecimento sobre a sexualidade, por meio de formas realmente eficazes?
Perguntas... perguntas... perguntas...
Existem denúncias facilmente localizadas na internet (por isso não as cito integralmente, aqui) sobre uma indústria do aborto, onde as crianças mortas têm partes do seu corpo utilizadas comercialmente. Pergunto: já não fazemos isso com o gado? Outras denúncias informam que o plebiscito seria a estratégia dos mercadores da morte (aborteiros) para convencer a população com uma maciça campanha na mídia, a mesma estratégia utilizada sobre a questão do desarmamento, quando a população votou a favor das armas.
O que diz o Ministro e o Presidente sobre o fato, já que temos uma mídia tendenciosa, da qual o próprio Lula já provou o veneno? Acabo de ouvir um locutor da TV Bandeirantes afirmar que uma pesquisa popular revelou a posição contrária da população em relação à posição do Papa sobre a condenação no uso de camisinha e sobre o aborto. Misturou-se propositadamente as informações. A posição da Igreja sobre os métodos anticoncepcionais já se demonstrou ultrapassada, mas a população concorda, em sua maioria, com a condenação do aborto. Pergunto: é esse o terreno seguro para um debate popular e um plebiscito?
Considerando o aborto um problema de saúde pública, analisemos o cenário em que poderia transcorrer legalmente. Presume-se o SUS como responsável pela finalização das conseqüências dos abortos clandestinos, pois a maioria das mulheres recorreria a ele. Então, a mulher procuraria o Sr. SUS e abortaria em totais condições de segurança. Opa! Tem algo errado aqui! Estamos falando do SUS, dos hospitais públicos, do atendimento nesses hospitais, do acesso popular às vagas oferecidas nesses hospitais, do agendamento e espera por esses atendimentos. Pergunto: há estrutura para o abortamento seguro?
Conheço uma senhora que chegou ao sétimo mês de gravidez sem conseguir uma vaga para o primeiro pré-natal. Esse caso ocorreu há menos de dois anos. Imaginemos uma candidata ao aborto seguindo na fila, esperando sua vez, enquanto a barriga cresce... (digo barriga para os aborteiros entenderem, pois não conseguem ver uma criança); ou a jovem entrando timidamente e amedrontada no hospital, recebendo o costumeiro péssimo humor dos profissionais em serviço; outra mulher acaba de ser chamada, após longa fila e, quando seria a sua vez, os médicos entram em greve...; enquanto isso, mulheres mais abastadas teriam acesso a instituições seguras e bem estruturadas, pois iriam pagar o aborto com o seu rico plano de saúde.
Não há como negar o aborto como um problema de saúde pública. No entanto, o aborto não é o problema, em si. Ele é a culminância de processos anteriores. Descriminalizá-lo é empurrar a sujeira (no caso, o bebê) para debaixo do tapete (no caso, a sepultura).
Invistamos no esclarecimento, pois a sua ausência ou deficiência está na raiz do problema. Vamos educar sexualmente a população, superando mitos religiosos, tradicionalismos, proibições, conceitos ultrapassados. Situemos o homem e a mulher num ambiente social de despertamento constante para suas responsabilidades, exercendo a sexualidade equilibrada.
Se o governo quer agir, então organize programas que esclareçam como manter relações sexuais que não desemboquem no aborto, que ofereçam suporte psicológico para pessoas desorientadas com a gravidez não planejada ou vítimas de estupro. Enfim, programas que valorizem a vida humana. Salientamos que essa orientação não é responsabilidade exclusiva do Governo. Mas, nesse texto, é dele que falamos.
Como disse um alto membro da Igreja Católica, em rede nacional, esperemos que o Ministério da Saúde lute pela vida e não pela morte. Então, Srs. Autoridades comandantes do meu Brasil varonil: honrem o salário que lhes pago todos os meses! Quebrem a resistência em defender a vida, superando interesses financeiros e políticos.
Afinal...

Quantos caminhos um homem deve andar pra que seja aceito como homem?
...
Quantas vezes deve um homem olhar pra cima para pode ver o céu?
Quantos ouvidos um homem deve ter pra ouvir os lamentos do povo?
Quantas mortes ainda serão necessárias para que se saiba que já se matou demais?
...
Quanto tempo pode uma montanha resistir antes que o mar a desfaça?
...
Quanto tempo o homem deve virar a cabeça, fingindo não ver o que vem vindo?
[Diana Pequeno]