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Os Espíritos nos ensinam que a “única verdadeira” lei “para a felicidade do homem” (OLE* – 614) é a lei natural ou lei de Deus. Devido à sua natureza eterna e imutável (OLE – 615) apresenta-se de forma igual para a humanidade, gerando a felicidade à medida que nela o homem baseia seus projetos e ações. A harmonia existente no mundo material como no mundo moral, provém do governo dessas leis (OLE – 616).
Apesar de serem únicas para todo o universo, as leis divinas possuem adequação específica ao grau de progresso dos seres” que habitam cada mundo (OLE – 618), configurando a evolução espiritual como a sua compreensão e a sua prática. Tal tarefa requer o processo reencarnatório, pois ao homem “uma única existência não lhe basta para isso” (OLE – 617), “em cada nova existência, sua inteligência se mais acha mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é bom e o que é moral” (OLE – 619).
Observando o mundo em que vive e, consequentemente, o seu próprio universo interior, o homem percebe o grau de envolvimento e responsabilidade na situação vivida e empreende esforços para superação dos atavismos morais. Se por um lado causa comoção ou revolta as catástrofes sociais e pessoais, os ensinamentos espíritas as colocam como produtos do nível evolutivo da humanidade terrena. Mas, a explicação não deve inspirar acomodação. Ela aparece no momento em que acendem-se novas luzes no nevoeiro da ignorância, revelando roteiros morais mais elevados.
Nesse ponto, cabe refletir como o Espiritismo atua no esclarecimento sobre as leis divinas. Os Espíritos que participaram da Codificação informam que as leis de Deus estão gravadas na consciência do homem (OLE – 621). Portanto, aí está a fonte de elevação do próprio planeta, alavancada pelo trajeto evolutivo dos Espíritos que nele residem. Outro aspecto apontado pelos Espíritos é o envio das revelações à humanidade, através de Espíritos mais evoluídos que agem didaticamente (ensinamento + ação) facilitando a aprendizagem.
No meio espírita, a responsabilidade com as mudanças morais, para melhor, alertam para os equívocos comportamentais ainda cometidos. De onde será retirado o parâmetro para identificação desses equívocos? Os próprios espíritos esclarecem: “para o homem, Jesus constitui o tipo de perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra” (OLE – 625). O Evangelho Segundo o Espiritismo é o conjunto de temas morais a ser utilizados nas avaliações das ações desenvolvidas no meio espírita, por ser composto pelos próprios ensinamentos do Cristo.
Se a conduta espírita deve pautar-se na disciplina, não será algemada ao imobilismo dogmático. Superação é o que se espera do praticante. O autoconhecimento é o projeto e a realização dos trabalhadores. Aponta Kardec: “conhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, pelo grande esforço que fez para combater suas más inclinações”. Esforço e combate são os termos elucidativos no crescimento moral, devido às imperfeições que ainda compõem grande parte do ser humano.
A idéia de transformação lançada pelo Codificador diz sobre um vasto campo em desalinho e sobre ferramentas de melhoramento para o cultivo das boas inclinações e extirpação das sementes da ignorância: “o véu se levanta aos seus olhos, à medida que ele [o homem] se depura” (OLE – 18).
O homem se esclarece melhorando suas práticas, retirando o véu simbólico do pouco conhecimento. Esse processo realiza a depuração moral que, por sua vez, alimenta os esforços da retirada do véu. Assim, ocorre o “combate” das “más inclinações”, num “grande esforço” que produz “transformação moral”.
Percebe-se o quanto é grande o território a ser desbravado no entendimento e na vivência do OESE** . Essa obra reeduca moralmente, carrega as condições para o entendimento das leis divinas, oferecendo Jesus como exemplo.
A cura moral pelo Evangelho impede a reincidência da enfermidade, proporcionando prazer na compreensão dos antigos “mistérios” de Deus. Adquirindo-se “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”, o mundo surge, gradativamente, cristalino aos olhos que vão percebendo sua verdadeira natureza ou, como afirma Kardec: “quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe deve causar o poder e a sabedoria do Criador” (OLE – 19).
A todo homem é facultado entender as leis divinas, podendo, com os seus próprios esforços, executá-las, pois estão gravadas em sua consciência: “os homens de bem são os que se decidem a investigá-la [lei natural] são os que melhor a compreendem” (OLE – 619). Portanto, não se incorre em erros inocentemente.
Emmanuel comenta que o homem de bem sofre e se aproveita do seu sofrimento. Resigna-se com sua dor e busca curá-la: “não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento”.
Utilizemos, então, nossas imperfeições e os seus conteúdos traumáticos para construir uma nova estrada de acertos. Ouçamos sempre Emmanuel: “não basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos orienta o caminho”. Nos esforcemos para a redução da nossa cruz, até sua total extinção.
Cristiano Fádel
*O Livro dos Espíritos.
** O Evangelho Segundo o Espiritismo.

criado por Crisffal
00:30:22Com a cabeça sob as mãos observando a chegada do natal, tão badalado, caprichosamente festejado, ansiosamente esperado e pouco analisado. Resisto aos apelos sociais do natal-senso-comum papainoelisticamente organizado em torno de um grande saco de brinquedos. Saio da fila que espera pacientemente pelo trenó, amedrontado pela estreiteza das chaminés. Vou entrar caminhando pela porta da frente. Todos os sapatos já estão encaixotados e devidamente guardados.
Não vejo Jesus cortando o bolo...
Luto, retiro as mãos, ergo a cabeça, olho em cada mão e me vejo sofrendo com o meu próprio imobilismo: não resolverei minhas angústias esperando que venham exercer o meu papel. Não tenho que buscar Jesus onde só existe Papai Noel. O Natal pede liberdade a partir do meu interior. Preciso construi-lo sob o modelo daquele que deveria ser o tema central da festa. O natal sou eu porque Jesus veio ao mundo e ele próprio foi seu mundo. Não esperou. Não queixou. Agiu. Com ele, renasço todos os dias. Com Jesus, o Natal transcorre o ano inteiro.
Refletindo sobre o nosso irmão perfeito, me pareceu diretamente dele ouvir o alerta: “vós sois o sal da terra”.
O sal equilibra o paladar realçando o doce a partir da sua salgada ação. Fora do ponto, irá provocar a rejeição ao prato. O equilíbrio está nas escolhas das mãos que cozinham: satisfação ou rejeição, saciedade ou fome, elogio ou repreensão. Por vezes, o sal está oculto, mas sua ação é sentida no acerto dos gostos.
O sal da terra é vida!
Daí, iniciei a mudança e aquelas mãos que desnorteadamente seguravam a cabeça, com ela construíram um conjunto transformador: o Natal é a senha para sermos o sal da terra.
Diante das vitrines repletas, ofuscantes, lembrarei dos lares, ruas e bairros onde o cintilar dos olhos cedeu lugar ao sofrimento. Inúmeras famílias que não conseguem desenvolver idéias reativas e imergem num ambiente de pessimismo. Posso ser a pitada que tempere com esperança a visão sombria da vida. Muito mais que falar, devo ser a própria mensagem de renascimento, encadeando olhares amplamente luminosos, alimentados pelo motor divino do coração, vibrando reerguimento.
Com tantos papais noéis, não posso me manter indiferente aos que não conseguem felicitar os filhos com um sorriso. Sou eu, o rosto iluminado a oferecer colo aos pequeninos inocentes, ombro amigo aos pequeninos adultos; o sorriso sincero de gratidão nos momentos bons e de paciência nas vivências dolorosas.
Doando e recebendo presentes, vou lembrar-me dos incapacitados à troca da mais rápida saudação. As vidas que se desarmonizam a cada minuto vivido. Assim, saio com os braços abertos num grande chamamento por abraços, mais afeto, ouvindo mais do que falando em qualquer ambiente. Distribuo um presente para ser repassado rapidamente: a tolerância.
À mesa farta, jamais negarei a reflexão sobre os excessos do acúmulo, enquanto milhares estão desprovidos do básico para a sobrevivência: a força de vontade. Sairei a encher os pratos com esclarecimento, reforçando a verdade: estamos sempre amparados se buscamos apoio. A fome física é o resultado do pequeno apetite moral por justiça.
Respirando o natal do mercado, lojas cheias, força propagandística materializada no consumismo, sou o tempero saudável que modifica as sensações exacerbadas. Inicio presenteando com humanidade, embrulhada por mãos amigas estendidas e abertas para um encontro caloroso e vivificante.

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