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Após o 18 de abril de 2007, cabe a reflexão sobre a movimentação em torno dessa data, evitando o secular perigo da idolatria que poderá transformar o O Livro dos Espíritos (OLE) em objeto de culto e o aniversário de sua primeira publicação, em dia santificado. Cultuar datas impede a reflexão crítica. O OLE é fruto do processo evolutivo da humanidade, pois o próprio Espiritismo obedece às leis naturais, como nos informa Kardec.
As homenagens ao OLE devem ser encontros de trabalho, no melhor método kardequiano, investigando todos os pormenores, debatendo exaustivamente, passando as informações pela observação meticulosa da razão, como encontramos no segundo ítem da introdução de o Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), sobre o Controle Universal dos Ensinamentos dos Espíritos: “Não é porque um princípio nos é ensinado que ele é para nós a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância”.
Apesar de trabalhar com temáticas já conhecidas (Deus, imortalidade da alma, comunicação com os espíritos com os espíritos, reencarnação etc), Kardec inovou por utilizar o método científico, detalhadamente explicado no capítulo 3, da primeira parte, de O Livro dos Médiuns, expondo todos os temas ao crivo da razão, comprometido em alcançar o máximo de imparcialidade, organizando uma obra didaticamente adequada à compreensão de todos. Na introdução de o ESE, informa que “por grande, bela e justa que seja uma idéia, é impossível que ela reúna, desde o princípio, todas as opiniões. Os conflitos que dela resultam... são necessários para melhor fazer ressaltar a verdade... para que as idéias falsas sejam mais prontamente desgastadas”.
O Espiritismo é um conjunto de informações superiores, mais isso não torna o Espírita superior no contexto humano. O OLE traz respostas para todas as dúvidas, mas depende do descernimento de quem sobre ele lança os olhares. É um objeto que não pode permanecer com aparência de novo por muito tempo. Deve ser lido, marcado, receber anotações, mostrar desgaste pelo uso contínuo, enfim, fazer parte do cotidiano. Se o emprestarmos, vibremos em favor da sua utilidade. Se não nos devolvem... oh!que bom! Está iluminando alguém. Enquanto isso, nós já estamos com outro, pois o estudo é contante.
O OLE é produto essencial em nossa cesta básica moral. Agora, cuidado! Ouvi um jornalista apresentá-lo como a “bíblia” dos espíritas. Que perigo às mentes desatentas! Nele não há nada sagrado nem religioso; dele devemos extrair conteúdos vitais à evolução, bem como investigar possíveis equívocos ou pontos a ser atualizados, como bem descreveu Kardec sobre a natureza progressiva do Espiritismo.
Destaca-se, após 150 anos de estudos, a face renovadora do OLE seguindo-se em toda a Codificação, no campo do conhecimento humano. Acaba-se a morte mas surge um universo de responsabilidades e deveres, até então não entendidos. É o tempo do homem apto a novos saltos evolutivos, rumo à realidade espiritual, consciente de que a terra é, também, produto de sua qualidade vibratória.
Cristiano Fádel
criado por Crisffal
12:24:04